Por anos evitei projetos em Node. Até pegar um legado em produção e perceber que o que me destravou não foi a linguagem, foi o padrão por baixo dela. Sobre o que isso me ensinou de senioridade, e o que ainda me falta.
Por anos eu entreguei a arquitetura pronta para o time executar. Hoje eu levo a ideia crua, peço para discordarem e deixo o raciocínio de cada um ir até o fim, mesmo quando vai para o lado errado. Não é método nem receita: é o que eu venho tentando, por que acho que vale tentar, e a brincadeira do chefe.
Passei 20 anos vendo júnior virar sênior do mesmo jeito: errando em software de verdade, com alguém do lado. Agora a IA acerta a tarefa que era dele, e os números de contratação já mostram o efeito. Sobre o que se perde quando o erro deixa de ser do júnior, e o que eu mudei no meu time por causa disso.
Construímos do zero uma plataforma completa de live shopping em duas semanas, com três pessoas. Rodou R$ 680 mil em pedidos em cinco horas de transmissão, com mais de 200 usuários simultâneos e zero downtime. O que segurou não foi gente nem hype, foi decisão de arquitetura na primeira tentativa.
Já vi numa reunião de vendas uma análise em que a soma das fatias passava de 100%, e quase ninguém questionou, porque veio pronta e parecia certa. A IA entrega o plausível rápido. Sobre por que, num ambiente de decisão, o diferencial não é o prompt, é o contexto e o julgamento que só você tem.
Um dev que ouve o Escovando Bits me mandou no WhatsApp: "tô virando um júnior que não consegue nem avaliar se a IA me entregou código certo". A mensagem mexeu comigo, porque eu também cedo o volante às vezes. Sobre a diferença entre criar e gerar código, e o que a gente deixa de aprender quando esquece dela.
Toda vez que começo um projeto novo eu poderia pegar a bola da vez, e acabo no Django. Não porque ele seja o melhor framework do mundo. Porque ele é chato, estável, e porque eu estava na sala certa quando ele nasceu. Vinte anos de Django, do projeto de tradução às escolhas de hoje.
O Linus Torvalds esqueceu de lançar o kernel 6.14 e, em vez de inventar desculpa, escreveu que foi "pura incompetência". Incompetência é a palavra que eu vivo achando que colam em mim, por ser o cara que assume que erra. Sobre por que assumir, e não esconder, é o que mantém um time de pé.
Um dev PHP com dez anos de estrada rodava tudo direto no Debian e achava que containerizar era pesado demais. Não é. Um MySQL e um phpMyAdmin por projeto, isolados e descartáveis, cabem num arquivo. Este simples repo sugriu para dismistificar isso.
Arquitetura de software costuma ser explicada como assunto de construção. Mas o valor que mais uso é outro: entender como uma operação que já existe vira sistema, porque é isso me permite planejar e migrar sistemas sem quebrar.